Antes do tamanho, a classe
A pergunta mais comum é "de quantos quilos?". Só que capacidade é a segunda decisão. A primeira é o que pode pegar fogo ali — porque o agente errado pode não apagar e, em caso de equipamento energizado, colocar quem opera em risco.
As classes que aparecem na prática:
- Classe A — sólidos comuns: papel, madeira, tecido, plástico. Queima em superfície e em profundidade, deixa brasa.
- Classe B — líquidos inflamáveis: combustível, solvente, tinta, graxa. Queima só na superfície.
- Classe C — equipamento energizado: painel elétrico, quadro de comando, servidor. O risco extra aqui é o choque no operador.
- Classe D — metais pirofóricos (magnésio, sódio). Raro fora de indústria específica.
- Classe K — óleo e gordura de cozinha industrial.
Qual agente para cada classe
A associação entre classe e agente está na NBR 12693:
- Água — classe A. Barata e eficaz em sólido, mas não use em energizado nem em líquido inflamável.
- Espuma — classes A e B. Abafa e resfria; boa em líquido inflamável.
- CO₂ — classes B e C. Não deixa resíduo, por isso é o preferido perto de eletrônico e painel elétrico.
- Pó químico ABC — classes A, B e C. É o coringa: cobre os três cenários mais comuns.
- Pó químico BC — classes B e C. Não atua em sólido comum.
ABC ou BC: a dúvida que mais aparece
Os dois extintores mais vendidos são justamente esses, e a diferença é uma letra que muda muita coisa.
O ABC cobre também sólidos (papel, madeira, tecido). O BC não. Para escritório, depósito, loja ou área administrativa — onde quase sempre há papel e mobiliário — o ABC é o que faz sentido.
O BC tem espaço em ambiente onde o risco dominante é líquido inflamável ou elétrico e praticamente não há material sólido combustível: casa de bombas, área de máquinas, alguns pontos de posto e oficina.
Na dúvida entre os dois, o ABC cobre mais cenários.
Quantos extintores: a regra da distância a percorrer
A quantidade não sai de metro quadrado — sai da distância máxima a percorrer. É a distância que a pessoa caminha do ponto mais afastado da área até chegar no extintor, andando pelo caminho real, não em linha reta pelo desenho.
A NBR 12693 trabalha com limites entre 15 e 25 metros, conforme o risco da ocupação. Dois casos têm limite próprio: classe D até 20 m e classe K até 10 m.
Por isso um galpão de 500 m² sem divisórias pode precisar de menos equipamentos que um andar de 300 m² cheio de salas — no segundo, o percurso real é muito maior.
Capacidade extintora: o número que quase ninguém olha
No rótulo aparece algo como 2-A:20-B:C. Isso é a capacidade extintora — o poder de extinção medido em ensaio padronizado, não um número comercial.
O que ele diz: quanto maior o valor antes da letra, maior o fogo que aquele extintor dá conta. Dois extintores de mesmo peso podem ter capacidade extintora diferente.
É esse número, e não só o peso em quilos, que o projeto usa para dimensionar. Comprar pelo "4 kg" sem olhar a capacidade é como comprar carro só pelo tamanho do tanque.
Erros que reprovam na vistoria
- Extintor certo, posição errada — obstruído por mercadoria ou atrás de porta
- Sinalização ausente ou fora da altura, deixando o equipamento invisível
- Distância a percorrer maior que a norma permite — falta equipamento
- Agente incompatível com o risco do local (água perto de painel elétrico)
- Recarga ou teste hidrostático vencidos
- Extintor no chão onde deveria estar em suporte, ou em altura irregular




